Ainda sobre os ciganos* E a entrevista da Fernanda Câncio*

27/09/2010

Um educador social cigano!


"Não é o caso de Sílvio Oliveira, 32 anos, coordenador no jardim de infância público da Chamusca, que enquanto aluno da Escola Superior de Educação de Santarém "não quis admitir logo ser cigano". "Como tirei o curso de educação social e nas aulas falávamos muito do 'problema' dos ciganos optei muito pelo silêncio. Sempre que achava que as coisas que estavam a ser ditas não correspondiam bem àquilo que conhecia, tentava dar a minha opinião, mas sem me comprometer. Não queria que os professores me julgassem sem me conhecerem. Só no fim dos cinco anos da licenciatura - que fiz à primeira, tudo de seguida - é que os professores souberam e me vieram dar os parabéns muito efusivamente." Entre a discriminação negativa e a positiva, o ser posto de lado como imprestável ou tratado como fenómeno, como a excepção que confirma a regra, o diabo pode escolher"


Notícia toda aqui*

4 comentários:

*C*inderela disse...

É muito raro casos desses mas já começam a aparecer, até ciganas a frequentar a faculdade. Acho muito bem, não é por ser de uma etnia que é menos capaz ou não tem direito que os outros.

Nokas* disse...

A reportagem está magnifica, sobretudo pelo desmistificar destas ideias feitas que há acerca desta comunidade.

Aline disse...

Nem mais!

anaferro disse...

Eu continuo a achar que não existem ideias feitas em relação à comunidade cigana, aquela que vive fora do sistema social.

Acho é que há pessoas cujo esforço é louvável, que tentam adequar as suas convicções e tradições a um viver em sociedade. E não tem nada a ver com a raça, tem a ver com regras que são necessárias existirem para que a vida em sociedade seja possível. Porque se todos fizermos aquilo que quisermos, estamos muito mal. E não precisamos de ser ciganos ou pretos ou amarelos.

Acho que a integração, o esforço da parte das pessoas que o fazem, também serve para educar os outros, que possam ser menos tolerantes. Todos nós passamos por essas questões, não pela raça, mas por outras coisas que possam ser diferentes do que pensa a maioria.

Há ciganos de quem não tolero a forma de vida. Porque me incomodam. E pela minha experiência, é uma larga maioria. Mas há pessoas que são dignas e têm valor. E essas respeito como pessoas que são, sejam ciganos ou não.

Este tipo de reportagens tem imensos efeitos e podem ser vistas por muitas perspectivas. E como eu gosto de ver estas pessoas com normalidade, também não as discrimino positivamente. São pessoas. Como nós.