Ainda sobre os ciganos* E a entrevista do Alvim*

08/09/2010

Em relação ao post anterior, tenho-vos a dizer que gostei muito de uma entrevista que o mesmo antropólogo deu ontem na Prova Oral. Gostei da parte da história, da parte onde ele conta que os ciganos chegaram a Portugal por volta de 1500 e contou também que eles foram escravos e que foram vendidos por um Rei. Adorei saber mais sobre este povo, como já referi gostava muito de trabalhar (ainda) mais com os ciganos. Não gostei da abordagem dele, que chamou racista ao Alvim e às pessoas que limitaram-se a contar os problemas que tiveram e têm com os ciganos. Dizer que "tenho medo" dos ciganos, não sei se será racismo. Eu tenho medo do meu pai e adoro-o. Acho que temos medo por nossa culpa. Os ciganos só intimidam as pessoas porque nós deixamos. Vamos ser razoáveis, entra um cigano num hospital, dá 3 gritos e consegue meter meia família no quarto da doente. Entra um de nós, dá 1 grito e é expulso. Agora digam-me a culpa é do cigano porque não cumpre a regra de estar caladinho e de subir 2 pessoas de cada vez? Ou do Hospital que é flexível como eles e não é connosco?
Os ciganos actuam e fazem determinadas coisas porque nós deixamos. Onde eu trabalho, se o cigano não paga a renda, se trafica, se há queixas de insalubridade é logo processado com uma ordem de despejo. Mas atenção é o cigano e qualquer um dos outros inquilinos. Somos nós que temos de impor regras e somos nós que temos de fazê-los cumprir, abrir excepções porque é cigano nunca vai levar a uma integração.

Se eu condeno as pessoas que se queixam dos ciganos? Não!
Se eu condeno as pessoas que se queixam que os ciganos recebem RSI e uma habitação social e nós recebemos ordenados miseráveis e trabalhamos toda a vida para ter uma casa? Também não.

Não acho que seja propriamente racismo, porque se fosse racismo também o eram com os toxicodependentes ou até mesmo para com as pessoas que têm subsídios e não fazem nada pela vida, porque nós também condenamos essas pessoas. Nós condenados quem nos faz mal e quem leva uma vida sem regras.
O que eu acho que custa a muitas pessoas entenderem e aceitarem é que não há ciganos. Há portugueses, no máximo ciganos portugueses e como dizia o Antropólogo, passado 500 anos ainda não os reconhecermos como portugueses, mas sim como ciganos é que é mesmo racismo.

Ouçam a Prova Oral.

[e acho que chegou ali a um momento da entrevista que até o Alvim já nem sabia o que dizer...depois de ter sido chamado de racista em directo, não deve ser fácil manter-se simpático para com o convidado]


3 comentários:

anaferro disse...

Mais uma vez, ainda na linha do que disse uns posts abaixo, não é tão cor-de-rosa quanto isso.

Quantas pessoas já não foram violentamente agredidas por não permitir que pessoas como nós, como afinal são, tenham os mesmos deveres que nós? Eu dou só um caso, que eu vi. Pessoas que tinham umas carrinhas estacionadas bem no meio da rua. Uma outra pessoa que, ao não poder passar, sem protestar agressivamente, diz que as carrinhas não estavam bem ali, que assim não dava para passar. E depois? Levou nos olhos, literalmente, porque eu vi os óculos no chão. E praguejar para aqui e para ali, começam a aproximar-se familiares de quem agrediu. Ai que se não te calas levas mais, ai isto e ai aquilo. Era eu que ia lá «oh senhores, tenham lá calma que o senhor só estava a exercer o seu direito»?

São demasiado unidos, até na confusão. As pessoas, a verem a sua integridade física em risco, abstêm-se de agir.

É como vos digo, é tudo muito lindo. Mas venham viver para o lado deles.

E não acho que reconhecer que a maioria é assim, com muitas excepções, seja racismo. É apenas a realidade. São portugueses, sejam o que forem, mas há pessoas que não sabem viver em sociedade e, aqui no sítio onde vivo, ainda há a cultura do medo e da violência por parte dessas pessoas. Até costumam usar o argumento, como ameaça: «Sabes quem sou? Sou cigano.».

Tenho pena, antes não fosse assim. Mas é.

E digo isto em relação a outra pessoa qualquer que me incomode assim da mesma forma. Porque também tenho um vizinho que não é cigano mas faz barulho e muitas coisas mais e não o poupo a críticas.

Salvador disse...

Bom dia...

Quando se diz que não integramos os ciganos na sociedade ou que, quando o fazemos, não é da forma correcta, tal é dito de forma que leva a entender que a culpa é 'nossa'. Não concordo, até porque eles são os primeiros a excluirem-se... preservam (e muito bem) a sua cultura a todo o custo, assente na familia, e não permitem o casamento dos seus filhos com pessoas de outras etnias.
Admiro a forma como preservam a sua cultura e 'invejo' a união da familia, mas não suporto a forma que muitos utilizam para a sustentar, na base da pedinchice, mendicidade e subsidiodependência (não são só eles), e isto porque o trabalho fisico ou trabalhar para outrém não é para eles.
Quanto à xenofobia, ela existe sim, mas dos dois lados... e talvez mais ainda do lado cigano.

Lila* disse...

Eu disse que não condenava os que se queixavam deles, agora tb acho que nao sao todos iguais! Queixamo-nos de uns, mas não nos queixamos de todos. Queixarmo-nos de quem nos faz mal, não é racismo!