Ricos vs Pobres e a "Justiça"

31/01/2012

“Existe em Portugal uma justiça para ricos e outra para pobres. O pobre, se rouba um pão, vai preso. Um rico, se rouba um milhão, sai ileso”, ironizou o mandatário, assinalando a “diferença brutal de tratamentos”.



A propósito desta notícia. [Absolutamente ridícula a forma como se procede nos nossos tribunais.]




Atenção:
Na minha opinião, é obvio que esta situação deve ser condenada para que não se repita.
No entanto, trata-se de um sem-abrigo, de um polvo e de um champô. A condenação mais adequada seria o trabalho comunitário. Mas parece que essa hipótese ainda vai ser avaliada e caso não seja aprovada o sem-abrigo terá de pagar 250€ (como?).

5 comentários:

Sofia disse...

Também não compreendo. Gastaram muito mais dinheiro em custos judiciais do que aquilo que valia os produtos. Além disso, o pobre do sem-abrigo nunca terá dinheiro para pagar seja o que for.

Katty disse...

O advogado de defesa propôs o trabalho comunitário mas como o sem-abrigo não compareceu em tribunal,não disse se aceitava ou não fazer as horas de trabalho comunitário e pronto não deu em nada.
Questão como é que o sem-abrigo tem informação sobre o processo, suponho que não tenha casa para poderem mandar as cartinhas registadas para comparecer no tribunal.

Miss Star Pink disse...

A sério, ouvi essa notícia agora na tv e fiquei mt desiludida com o país em que vivemos.
Disse eu ao boy: "E se D. Afonso Henriques sabia que Portugal ia ser assim, não teria andado a travar uma batalha com a própria mãe".
É deprimente!

Nokas* disse...

Espero bem que a hipótese de trabalho comunitário seja reavaliada. Além disso, pelo que percebi, caso o sem-abrigo não pague os 250€, poderá incorrer em prisão. Eu acho isto ridículo. O custo dos dois produtos que ele roubou já foi em muito ultrapassado com custos judiciais deste processo.
E agora pergunto eu: e aquelas pessoas que não têm dificuldades económicas e que roubam nos hipermercados coisas que não são (de todo) bens de primeira necessidade?

Social Work disse...

Trabalho com esta população à 5 anos, por isso sinto-me perfeitamente à vontade para dizer o que vou dizer. Estas notícias escondem pequenos aspectos da questão. Há vários cenários possíveis, mas quero que reflictam sobre isto sobre outro prisma. A verdade é que pelo menos em Coimbra, existem giros de ruas todos os dias. Somos 9 equipas e conhecemos todos os casos. Os utentes muitas das vezes quando tem um problema destes recorrem às equipas para os resolver. A minha equipa tem apoio jurídico. Temos uma advogada gratuita ao dispor destes senhores. E nestas circunstâncias pedimos sempre conversão em trabalho a favor da comunidade, é aceite pelo Tribunal que passa a questão ao IRS, define-se um sitio e um horário e muitas das vezes nem sequer aparecem. Outras vezes são sem abrigos com dependência de substâncias e nem sequer querem saber, deixam ultrapassar todos e quaisquer prazos(anos). Até que sem um mandado onde a alternativa é pagar ou cumprir pena efectiva. Sem rectaguarda familiar, a viverem de RSI e/ou actividades ilícitas, não tem condições para pagar. Cabe às equipas do terreno estarem atentas, motivar e auxiliar estas pessoas. Mas quando as pessoas não querem, por muitos bons técnicos que haja, não há muito que se possa fazer. Há muito por fazer nestas área, para estas pessoas e com estas pessoas. Mas esta é a realidade do terreno.