Para ti.

07/11/2012



um dia, quando a ternura for a única regra da manhã,
acordarei entre os teus braços. a tua pele será talvez demasiado bela.
e a luz compreenderá a impossível compreensão do amor.
um dia, quando a chuva secar na memória, quando o inverno for
tão distante, quando o frio responder devagar com a voz arrastada
de um velho, estarei contigo e cantarão pássaros no parapeito da
nossa janela. sim, cantarão pássaros, haverá flores, mas nada disso
será culpa minha, porque eu acordarei nos teus braços e não direi
nem uma palavra, nem o príncipio de uma palavra, para não estragar
a perfeição da felicidade.

José Luís Peixoto

2 comentários:

Sabor Adocicado disse...

Não há palavras que exprimam o quão lindo está esse texto..! Não conhecia . Obrigada por partilhares! (:

Jo disse...

Que lindo! Adorei... :)