20 anos após a rectificação da Concenção dos Direitos das Crianças, o que encontramos?

21/09/2010


O pequeno ditador saiu dos livros para a realidade, hiperactivo e desatento, decidindo os consumos da família, inundado em calorias, com televisão no quarto e playstation move na sala, uma das únicas oportunidades de actividade física.
Quem proferiu estas palavras foi Luís Januário, presidente da Sociedade Portuguesa de Pediatria, a propósito dos 20 anos da rectificação da Convenção dos Direitos das Crianças.
Acrescenta-se ainda na notícia que li a sobrecarga excessiva de actividades que as crianças têm hoje em dia, aliada a uma autonomia cada vez menor nas simples tarefas do dia-a-dia. 
Concordo de forma parcial com esta visão. A forma como a infância e a entrada na adolescência é vivida actualmente mudou muito, quando comparado com o meu tempo e eu tenho apenas 24 anos. Os tais “ditadores de palmo e meio” são uma realidade e todos nós conhecemos um ou outro miúdo a quem facilmente atribuímos esta imagem. Mas também é verdade que os pais têm cada vez menos tempo para os filhos. E a tal sobrecarga de actividades (piscina, ATL, música, futebol, xadrez e afins) que eles hoje têm é uma forma de os manter ocupados. E disso eu não tenho margem para dúvidas. Nas conversas que tenho com eles, miúdos de um meio urbano, apercebo-me claramente que pouco falam com os pais, que vivem mergulhados num dia-a-dia cheio de preocupações com o trabalho e com a realização profissional. Os filhos encontram-nos à noite, quando já estão cansados e querem é dormir para amanhã estarem bem fresquinhos para enfrentarem o dia de trabalho. É obvio que não posso generalizar e sei perfeitamente que há pais que têm efectivamente tempo para os filhos, que os acompanham, que se preocupam verdadeiramente. Há pais e pais. Há filhos e filhos. Mas cada vez mais acho que ter um filho é uma decisão que tem de se desejar verdadeiramente e saber todas as responsabilidades inerentes a isso. Criar miúdos é (minimamente) "fácil". Educá-los para serem verdadeiras pessoas já é bem mais complicado. 


5 comentários:

Vera, a Loira disse...

Eu não posso concordar mais e tal como tu, noto uma diferença incrível para o meu tempo de criança.

Aline disse...

Concordo contigo quando dizes que os pais têm cada vez menos tempo para os filhos. Mas muitos que têm esse tempo nem sabem como lidar com os filhos ou nem querem esse tempo. Preferem ganhar mais ou ter outro emprego e por vezes, gastam esse extra em actividades exageradas como as que falaste. Penso que, mais importante do que ter o filho no xadrez, natação, música e afins e ter meia horita para parar no parque mais próximo antes de ir para casa. Mas há pais que nem querem esse tempo. E há pais que querem e transformam o pouco tempo que têm com eles, num bocado milagroso que faz toda a diferença. Muitas vezes, a diferença está no querer e não no poder.

Nokas* disse...

"E há pais que querem e transformam o pouco tempo que têm com eles, num bocado milagroso que faz toda a diferença. Muitas vezes, a diferença está no querer e não no poder."

Aline as tuas palavras não podiam estar mais certas!

Anónimo disse...

Gosto muito deste texto. Como mãe desejava ter menos tempo fora de casa, para durante a semana estar mais disponível para a minha filha. De qualquer forma tento preencher o tempo com ela, a pintar, fazer colagens e a pedir a sua ajuda nas tarefas que temos que fazer em casa. Tenta-se o equilibrio e o melhor no pouco tempo que temos. :) T.

Aline disse...

Aí está uma anónima que faz toda a diferença com o pouco tempo que tem.